A vizinha do barulho

Paulo Stocker, teve a oportunidade de fazer seu auto-retrato. No ano passado mudou-se para o apartamento de cima do de Stocker uma família cuja filha de quinze anos gostava de ouvir um som num volume ligeiramente acima da média. Ou melhor, “muito alto”, corrige Stocker.

No início, Stocker tentou uma solução amigável. Ligava para ela e pedia com jeito para abaixar o volume. “Ela sempre era mal-educada”, recorda ele. “Desligava o telefone na minha cara”. Para quem passa o dia trabalhando em casa, era “uma coisa maluca”.

Passado um mês de tentativas infrutíferas, Stocker formalizou sua reclamação em um livro mantido para esse fim pelo seu condomínio. Foi sozinho, porque, segundo ele, os outros vizinhos não quiseram se envolver.

A administração do condomínio apurou que a queixa era procedente e encaminhou-a aos pais da apreciadora dos altos sons, os quais tiveram de assinar o recebimento de uma carta de advertência. Em caso de reincidência, a taxa do condomínio teria uma multa de 20%.

A partir desse momento, a situação mudou. “Se a menina deixava o som muito alto, qualquer um podia ligar para o porteiro”, explica Stocker. “Ele ligava para ela, que abaixava o volume na hora”. Aos poucos, nem a advertência do porteiro foi necessária. “Ela mesma ligava para mim perguntando se o som estava muito alto”, conta Stocker.

Um mês depois, não se ouvia mais som nas alturas do apartamento de cima. Como nas histórias em quadrinhos, tudo acabou bem. E a moral da história, segundo Stocker, é: “Reclame por escrito”. Para ser mais claro, “leve seu problema para a administração do condomínio. Eles resolvem”.